PSICOPATA AMERICANO
Ninguém poderá argumentar que era imprevisível que esta presidência protagonizada por uma espécie de imperador demente acumulasse sinais erráticos, atacasse direitos civis, torpedeasse a separação de poderes, corroesse o Estado de direito, legitimasse o discurso de ódio e instituísse uma “linha política” cuja base, fluida, é o desejo quotidiano de um líder narcisista. O slogan da “carnificina americana” cedo deixou de ser um diagnóstico para se transformar num anúncio. O apocalipse abriria o caminho para a regeneração. A edição de Janeiro/Fevereiro de 2024 da revista The Atlantic dedicou o grosso das suas páginas a responder à premissa que inscreveu na capa: Se Trump ganhar . O editor Jeffrey Goldberg explicava a opção da revista pelo facto de achar preocupante que o “Partido Republicano se tivesse hipotecado a um demagogo antidemocrático completamento desprovido de decência”. No mesmo artigo, relatou o excerto de uma conversa que teve com Jared Kushner, no início do primeiro ...