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E SE O CR7 QUISER SER O NOSSO TRUMP?

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  Eles têm em comum um ego descomunal, uma colossal falta de noção e uma aversão epidérmica à contrariedade que os conduzem à vizinhança da impunidade, da prepotência ou da tirania. São ambos bilionários: a Forbes avaliou a fortuna de Trump em cerca de 6 mil milhões de euros e o património líquido de Cristiano Ronaldo em aproximadamente mil milhões de euros. Partilham o interesse pelos negócios imobiliários: o americano aposta em clubes de golfe e resorts , mas também em edifícios residenciais e comerciais, enquanto que o português tem uma parceria com o Grupo Pestana, que se materializou no conceito de CR7 Lifestyle Hotels. O ponto de intersecção deste interesse comum deu-se quando CR7 adquiriu um apartamento na Trump Tower, que posteriormente vendeu por cerca de metade do preço, the art of the deal em acção: 1-0 para Trump. Outro interesse comum é a área dos média. Donald Trump é o principal accionista da TMTG ( Trump Media & Technology Group ), detentora da Truth Social, e ...

MONTENEGRO NÃO CUMPRE OS REQUISITOS DE SEGURO PARA PRESERVAR A DEMOCRACIA

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  No seu discurso na assembleia parlamentar do Conselho da Europa, o Presidente da República referiu-se à ameaça do “crescimento de movimentos extremistas”, com o consequente fomentar da “desconfiança nas instituições” e a ameaça de retrocesso “em direitos que julgávamos consolidados”. Numa fase posterior, em resposta a questões, delineou quatro condições que poderão permitir preservar as democracias do assalto dos extremismos iliberais. São elas, de acordo com o jornal Expresso , “atrair os ‘moderados’, “não prometer o que não se pode cumprir”, “ter uma ‘ética à prova de bala’ no exercício de funções” e “pôr o foco na resolução dos problemas em vez de concentrar energias no combate aos adversários”. Objectivamente, a prática governativa do primeiro-ministro não permite supor que ele preencha estes requisitos. Que Seguro os tenha enunciado no pós-discurso, numa fase de perguntas e respostas, é um suplemento de ironia, sabendo nós que o primeiro-ministro se especializou nas interven...

PALMA DE OURO

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  “Canto aquilo que sinto e penso, sem mandar mensagens. No fundo, sou um cronista”. É possível que esta premissa que prescinde do artifício que associamos a um “artista”, que aproxima a sua obra da revelação de uma verdade íntima, seja responsável pela identificação de tantos de nós com os seus estados de alma, com os seus retratos à la minuta de um quotidiano resgatado à banalidade por lampejos de beleza ou por inesperados confrontos com o que nos desafia. Do particular para o universal sem se diluir na amálgama do comum. Os grandes artistas, como Jorge Palma, têm o condão de nos municiarem com o vocabulário que descodifica as nossas emoções, ultrapassando inibições e reabilitando a vulnerabilidade, num movimento que exprime a franqueza que não se sente limitada pelos momentos de fraqueza. Que nunca tenha pretendido ser um modelo de virtudes, aproxima-o ainda mais de todos nós. Que tenha perseguido com sucesso o virtuosismo, esse zénite onde se conjugam o domínio técnico e...

O MONÓLOGO DO ACOSSADO

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  Foi na quinta-feira (não sabemos se inspirado por Cavaco, o da “Quinta-feira e outros dias”) que o primeiro-ministro se disponibilizou para “dar a cara neste momento difícil”. O formato foi o preferido dele: comunicação solene sem direito a perguntas. Falou directamente aos portugueses, de sorriso ausente, com uma pose algo gingante, alternando entre o apoio da perna esquerda e o da perna direita e com o olhar no horizonte, por cima e para além das câmaras, lá onde o eleitor reside. O tom do discurso oscilou entre a autoconfiança no desempenho governativo (“governar é fazer escolhas e estas são as nossas escolhas”; “não troco, não trocamos este rumo por nenhum outro de nenhum estado-membro da União Europeia”) e o exercício da compaixão (“sentimos as vossas angústias”; “nós sentimos o vosso sofrimento, a vossa inquietação”; “o momento é duro”). A síntese do discurso, da mensagem a passar, está reflectida na frase: “Temos de equilibrar s sensibilidade social com a responsabilidade ...

O DUO PAI E FILHA

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O Conjunto Pai e Filhos é um digno representante da música popular e tradicional portuguesa, cuja obra pode ser escutada no Spotify. Já o Duo Pai e Filha é um tandem político-ideológico assente em valores tradicionais e populistas — pátria, família, Deus (quando convém) — com presença significativa em podcasts , ecrãs televisivos e colunas de jornais. O seu papel principal consiste em, para além de espalharem o evangelho dos valores tradicionais, enumerar argumentos que neguem o carácter extremado de determinadas organizações políticas, que são, no entender deles, sempre “soberanistas”, “nativistas”, contra o multiculturalismo, mas nunca, jamais, “uma ameaça existencial à democracia”. O Duo Pai e Filha navega nas nuvens da credibilidade académica, alinhavando um discurso mais ou menos sofisticado a que adiciona uma dose de souplesse . Porém, como bons ideólogos orientados para os resultados práticos, podem deplorar a linguagem, o estilo ou a falta de método das organizações que apoia...

DEUS NOS LIVRE DA REPÚBLICA DAS BANANAS

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  O primeiro-ministro já esteve mais longe de declarar algo do género de poder disparar em pleno Rossio contra alguém que não perderia um voto. “Deus me livre se eu governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores. Não mando recados a ninguém, falo com o povo”, afirmou de forma lapidar.  E através desse diálogo, desse contacto directo não conspurcado pela “censura moderna”, Montenegro percebeu que “as pessoas podem não gostar de tudo quanto o Governo faz [um understatement ], mas querem que o Governo trabalhe”. Ou seja, a produtividade pode ser baixa, mas o povo não quer eleições. É isto, e apenas isto, que explica aquilo que o director do Expresso apelida de “descontracção e ar blasé ” do primeiro-ministro. Que faria bem em meditar que em política o fugaz e o transitório reinam. Resvalar da apatia ou do desdém para a sobranceria costuma ser fatal.   Com aquele seu estilo tonitruante, que combina o cacique que serve de vade-mécum simplificado para os correligion...

RECURSOS LIMITADOS (DA SEGURANÇA SOCIAL E DOS PERITOS)

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  Seria de prever que o Governo, que se auto-intitula de “reformista” e com grande queda para as “medidas estruturais”, se atirasse à reforma da Segurança Social depois de a voluntariosa ministra Palma Ramalho ter criado um grupo de trabalho para o efeito, mas afinal não. Diz o PM que só com um “compromisso antes das eleições” e com um “entendimento nacional” é que a coisa se faz. As “pensões são sagradas”, o reformismo foi engavetado desta vez e ficámos sem saber se Montenegro, para além de ouvir “muitos disparates” das oposições, também terá detectado “disparates” no relatório dos peritos. Alertava Pedro Adão e Silva no Público de sexta-feira para a necessidade de estarmos atentos porque o FEFSS “não poder servir para pagar a factura da CGA”. Na verdade, Jorge Bravo não escondeu este propósito. A começar pela designação do fundo, que passaria de Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social para Fundo de Reserva dos Sistemas Públicos de Pensões, sugerindo uma maior abr...