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O MEU LOBO ANTUNES É O DAS CRÓNICAS

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  Deixo para os especialistas as grandes considerações sobre o arrojo formal, o virtuosismo estilístico ou o engenho do romance polifónico. E a análise da eterna demanda da perfeição na construção do grande romance português. E a averiguação da forma como, partindo de reflexões íntimas, transformou uma espécie de monólogo interior num discurso universal. O meu Lobo Antunes, porém, é o das crónicas, que ele depreciava, esses portentos de economia narrativa, misto de memórias pessoais e análise sociológica, onde figuras comuns, arrancadas a quotidianos só aparentemente banais, eram elevadas à grandeza do protagonismo literário. Sobre elas pousava o seu olhar azul, que não prescindia da ternura ou da compaixão, mesmo quando transportava uma censura. O meu Lobo Antunes é o da angústia do condutor na altura de encarar o amarelo do semáforo (“A consequência dos semáforos”); das tias cujos “animais domésticos eram os pobres”, para as quais, aliás, “o plural de pobre não era pobres. O pl...