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A mostrar mensagens de março, 2026

CAVACO ENTRA NA BATALHA DE GURUS

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  “Cavaco Silva hoje não seria militante do PSD mas sim do CHEGA!”, escreveu André Ventura na rede social X em 18 de Março de 2023. Olhe que não, decidiu retorquir o visado, três anos depois, através de um ensaio para o jornal Expresso . O artigo exprime quase todos os cambiantes da palavra ensaio: é um texto de análise (fortemente condicionado pela sua condição de militante do PSD), é uma tentativa (de disputar a influência no partido) e é uma reprimenda (à oposição). Apesar de ter sido publicado na secção “Ideias” (normalmente reservada a peças de algum fôlego, densidade temática e rigor académico), tem um cariz avassaladoramente político e ocupa, em termos efectivos, pouco mais de uma página, apesar de se espraiar por três. Cavaco começa por lembrar que sem um crescimento da ordem dos “3%-4%, Portugal continuará a ser um país da União Europeia relativamente pobre”. Ignorando o ministro Miranda Sarmento, que declarou não ser difícil pôr o país a crescer acima dos 3% e arrisca c...

A REFORMA DA FORÇA DE BLOQUEIO

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  O senhor primeiro-ministro, grande admirador da “raça lusitana” (não, não se referia a cavalos) e que declarou ver em António Lobo Antunes um “escritor exímio” (o que levou um ilustre queirosiano a considerar que o PM se tinha expressado como se se referisse a “um honesto marceneiro ou um ágil trapezista”), já aludiu por diversas vezes ao “ímpeto reformista” do seu Governo. Do qual também já disse que irá prosseguir com o “ímpeto humanista”. O senhor primeiro-ministro é, claramente, uma pessoa de ímpetos. O dicionário Infopédia define “ímpeto” desta forma: “1. Movimento repentino; arrebatamento / 2. Impetuosidade; furor / 3. Agitação, precipitação”. Luís Montenegro pretende, portanto, executar uma reforma (mudança para melhor), ou uma reforma estrutural (que vai à essência, aos fundamentos do processo a melhorar), com base num movimento repentino, num furor que arrisca ser precipitado, ou seja, pouco ponderado. O senhor primeiro-ministro pretende agora aplicar o seu ímpeto refo...

QUERIDA, BEBÉ, XUXI, FIZ UMA REFORMA!

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  Em Portugal, na era A.M (antes de Montenegro), os governantes tomavam medidas, avulsas ou em pacote, com impacto mais ou menos imediato e/ou com alcance a médio prazo. Agora, todos os dias temos “reformas”. E até   temos um ministério da Reforma do Estado. Persiste um certo pudor em atracar a todas as “reformas” anunciadas o adjectivo “estrutural”, mas já se arrisca mais com o adjectivo “profundo”. Este é um Governo com “foco” (palavra de estimação do primeiro-ministro), com uma queda para as “medidas integradas”. A “implementar”, claro. O segredo está na autoproclamação. O talento na enunciação. O mérito na orquestração do pensamento mágico. A comunicação institucional construiu o slogan e a “bolha” intuiu que o Governo é “reformista”. A continuação do SIMPLEX por outros meios é uma reforma, que não “vai significar chicoespertismo”, preveniu Montenegro. O novo modelo das CCDR é uma reforma. “Baixar consecutivamente impostos”, alegou Hugo Soares, é uma reforma. A mudança ...

O MEU LOBO ANTUNES É O DAS CRÓNICAS

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  Deixo para os especialistas as grandes considerações sobre o arrojo formal, o virtuosismo estilístico ou o engenho do romance polifónico. E a análise da eterna demanda da perfeição na construção do grande romance português. E a averiguação da forma como, partindo de reflexões íntimas, transformou uma espécie de monólogo interior num discurso universal. O meu Lobo Antunes, porém, é o das crónicas, que ele depreciava, esses portentos de economia narrativa, misto de memórias pessoais e análise sociológica, onde figuras comuns, arrancadas a quotidianos só aparentemente banais, eram elevadas à grandeza do protagonismo literário. Sobre elas pousava o seu olhar azul, que não prescindia da ternura ou da compaixão, mesmo quando transportava uma censura. O meu Lobo Antunes é o da angústia do condutor na altura de encarar o amarelo do semáforo (“A consequência dos semáforos”); das tias cujos “animais domésticos eram os pobres”, para as quais, aliás, “o plural de pobre não era pobres. O pl...

O PRINCÍPIO DE PEDRO

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  Pedro Passos Coelho anda por aí. Envergando por cima do fato do desprendimento o sobretudo da responsabilidade cívica. Porque é um homem de princípios e convicções. Espoliado da geringonça, D. Sebastião sexagenário, outrora apelidado pelos amigos de “Obama de Massamá”, o ex-primeiro-ministro, entre conferências e apresentação de livros, vai oferecendo os seus contributos para o debate político, alcançando uma projecção mediática outrora reservada a figuras como Cavaco Silva. Certamente relevantes para a evolução do seu pensamento político terão sido a sua experiência na área da formação profissional e a participação numa ONG empenhada em apoiar projectos em países em vias de desenvolvimento. No primeiro caso, as vicissitudes inerentes à formação de técnicos camarários para aeródromos municipais, para a qual a Tecnoforma, de uma forma louvavelmente ambiciosa, chegou a elaborar um projecto avaliado em cerca de 1,2 milhões de euros para acabar por receber apenas 312 mil euros do p...