A AMIGA GENIAL NO MINISTÉRIO DA SAÚDE

 


A professora Ana Paula Martins tem muitos amigos, incluindo ex-ministros da Saúde de governos PS. Correia de Campos tem “apreço” por ela, e em Janeiro do ano passado vaticinou que ela poderia vir a ser uma “boa ministra”, elencando um rol de qualidades: conhece o ministério, “sabe de epidemiologia”, “fez cursos no estrangeiro” e “conhece todos os apparatchiks da Saúde”. Adalberto Campos Fernandes, além de amigo, é “consultor informal”, diz o Expresso. Quase 60% dos portugueses podem defender a sua demissão (sondagem Intercampus – Novembro de 2025), e 81% declararem estar pouco ou nada satisfeitos com o SNS (ICS/ISCTE – Março de 2026), pode ter aumentado o número de utentes a aguardar uma consulta, o número dos que esperam por uma cirurgia e dos que não têm médico de família atribuído, mas amigos não lhe faltam. Podem fracassar os planos milagrosos e multiplicar-se a partidarização das nomeações para as ULS (até com resultados financeiros desastrosos) que amigos políticos não lhe faltam.


Se o anterior Presidente da República fez uma avaliação pouco lisonjeira que se ficou pelas palavras duras (“gestão casuística”, “soluções para o curtíssimo prazo”), o novo Presidente aposta num Pacto Estratégico para a Saúde (um pacto com laranja e água de rosas). E quem é que vai coordenar o pacto? Adalberto Campos Fernandes, o amigo “consultor informal”. O Governo oscila entre a satisfação com a escolha do coordenador e o receio de que Seguro exorbite os seus poderes. Campos Fernandes criticou a Lei de Bases congeminada pela maléfica Marta Temido em conluio com o Bloco de Esquerda, preferindo um consenso ao centro, o que se conjuga com a ideia do Governo de recuperar parte das ideias de Maria Belém Roseira sobre esta matéria.


Com Adalberto ( um “tecnocrata” e “óptimo comunicador” nas palavras do antigo ministro da Saúde de Passos Coelho; “a pessoa mais bem preparada” nas palavras de Miguel Relvas) a coordenar o pacto, é bem possível que a professora Ana Paula Martins tenha mais sucesso do que a professora Maria do Rosário Ramalho, à beira de fracassar no propósito de equilibrar a lei laboral, segundo ela inclinada para o lado dos trabalhadores. A ministra da Saúde, de quem se disse ter estado ou estar “cansada”, pode querer interpretar um último grande papel antes da “renúncia”: conciliar interesses antagónicos numa virtuosa parceria público-privado todo-o -terreno. Uma missão que Correia de Campos poderá encarar como patriota (digna de que se cante o hino!). É que, segundo ele, o PS terá criado uma Lei de Bases da Saúde hostil ao sector privado, o que fatalmente originaria uma reacção. Nas suas imortais palavras em entrevista à Antena 1: “Fomos tão fundamentalistas na aceitação desta legislação, que o sector privado resolveu vingar-se, e estão a fazer tudo para destruir o SNS. Morderam a carne viva. “Salvem o SNS!”, é o apelo universal. De quem, é que já não é unânime.


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