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DIRTY LUÍS DO LADO DO BEM

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  Temos um ministro da Administração Interna que personifica o arquétipo do anti-herói, para quem os procedimentos (a burocracia, as regras processuais) são um estorvo. Um licenciado em direito que alega o desconhecimento da lei, um ex-operacional que prendeu “milhares de bandidos”, alguém que ficou “sempre do lado do bem”, mas que nunca foi “um homem de expedientes, de papéis”. Daí que a entrega ad hoc de bidões que continham químicos para fabricar cocaína a um depositário prestável seja qualificada como um “acto de extraordinária gestão” (tal como a detenção de “milhares de bandidos” terá constituído um acto de extraordinária bravura).  Como sucede com todo o anti-herói solitário, por condição e por necessidade, todos lhe falharam: o vendedor que não o informou que a propriedade   que iria adquirir estava em “área condicionada”, os “profissionais competentes da estrutura” que podem não ter assegurado “os procedimentos e a documentação” relacionados com a galera, o Trib...

O CASO DO EMPREITEIRO ATRELADO AO MINISTRO

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  “A ameaça da extrema-direita é muito maior, têm armas, matam, ameaçam, coagem.” “Não existe uma relação entre aumento da criminalidade e aumento da imigração.” “Estamos a assistir a um momento de desinformação, fake news e ameaças híbridas e é isso tudo que leva a fundamentar a percepção de insegurança.” Estas três afirmações de Luís Neves contribuíram para tentar centrar o debate político no território dos factos e não das construções ideológicas ou das estratégias de comunicação política. O dano colateral foi torná-lo persona non grata para a direita radical e para os seus tenores na comunicação social. A sucessão de notícias acerca do relacionamento do actual ministro da Administração Interna com um empreiteiro de Barcelos está a ser encarado por alguns quadrantes como uma manobra de desqualificação e um ataque cerrado aos procedimentos e ao carácter de Luís Neves, no fundo uma retaliação pela sua firmeza na fidelidade a factos “inconvenientes”. Infelizmente, os dados até ...