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MONTENEGRO NÃO CUMPRE OS REQUISITOS DE SEGURO PARA PRESERVAR A DEMOCRACIA

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  No seu discurso na assembleia parlamentar do Conselho da Europa, o Presidente da República referiu-se à ameaça do “crescimento de movimentos extremistas”, com o consequente fomentar da “desconfiança nas instituições” e a ameaça de retrocesso “em direitos que julgávamos consolidados”. Numa fase posterior, em resposta a questões, delineou quatro condições que poderão permitir preservar as democracias do assalto dos extremismos iliberais. São elas, de acordo com o jornal Expresso , “atrair os ‘moderados’, “não prometer o que não se pode cumprir”, “ter uma ‘ética à prova de bala’ no exercício de funções” e “pôr o foco na resolução dos problemas em vez de concentrar energias no combate aos adversários”. Objectivamente, a prática governativa do primeiro-ministro não permite supor que ele preencha estes requisitos. Que Seguro os tenha enunciado no pós-discurso, numa fase de perguntas e respostas, é um suplemento de ironia, sabendo nós que o primeiro-ministro se especializou nas interven...

O MONÓLOGO DO ACOSSADO

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  Foi na quinta-feira (não sabemos se inspirado por Cavaco, o da “Quinta-feira e outros dias”) que o primeiro-ministro se disponibilizou para “dar a cara neste momento difícil”. O formato foi o preferido dele: comunicação solene sem direito a perguntas. Falou directamente aos portugueses, de sorriso ausente, com uma pose algo gingante, alternando entre o apoio da perna esquerda e o da perna direita e com o olhar no horizonte, por cima e para além das câmaras, lá onde o eleitor reside. O tom do discurso oscilou entre a autoconfiança no desempenho governativo (“governar é fazer escolhas e estas são as nossas escolhas”; “não troco, não trocamos este rumo por nenhum outro de nenhum estado-membro da União Europeia”) e o exercício da compaixão (“sentimos as vossas angústias”; “nós sentimos o vosso sofrimento, a vossa inquietação”; “o momento é duro”). A síntese do discurso, da mensagem a passar, está reflectida na frase: “Temos de equilibrar s sensibilidade social com a responsabilidade ...

DEUS NOS LIVRE DA REPÚBLICA DAS BANANAS

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  O primeiro-ministro já esteve mais longe de declarar algo do género de poder disparar em pleno Rossio contra alguém que não perderia um voto. “Deus me livre se eu governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores. Não mando recados a ninguém, falo com o povo”, afirmou de forma lapidar.  E através desse diálogo, desse contacto directo não conspurcado pela “censura moderna”, Montenegro percebeu que “as pessoas podem não gostar de tudo quanto o Governo faz [um understatement ], mas querem que o Governo trabalhe”. Ou seja, a produtividade pode ser baixa, mas o povo não quer eleições. É isto, e apenas isto, que explica aquilo que o director do Expresso apelida de “descontracção e ar blasé ” do primeiro-ministro. Que faria bem em meditar que em política o fugaz e o transitório reinam. Resvalar da apatia ou do desdém para a sobranceria costuma ser fatal.   Com aquele seu estilo tonitruante, que combina o cacique que serve de vade-mécum simplificado para os correligion...

O ESTADO DA NAÇÃO (SOCIAL-DEMOCRATA)

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Fontes, daquelas fontes que jorram mais informação para o Expresso que as torneiras de Almada brotam água, dão conta da inquietação no partido e no Governo. “As pessoas não estão melhor e não tem havido resposta para isso”, dizem uns. Falta “iniciativa política” e alguns “ministérios estão totalmente parados”, acrescentam outros. Há ministros que se queixam de que, escreve a jornalista Paulo Caeiro Varela no Expresso , “o primeiro-ministro não dá resposta a alguns temas do dia a dia da governação”. “Altos responsáveis do Governo e do PSD” têm uma explicação psicanalítica para um estilo de decisão assente na deliberação de um “núcleo muito fechado” – as sequelas do caso Spinumviva, que terão deixado Montenegro “amargurado” e com uma predisposição pouco cristã (“não perdoa o que lhe foi feito”). Com 61% dos portugueses a classificarem o Governo como mau ou muito mau (sondagem ICS-ISCTE- Gfk Metris), tudo indica que a estratégia de colar o rótulo de reforma a toda a produção legislativa e...

O "REFORMISMO" ÀS TRÊS PANCADAS

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  Dado que o primeiro-ministro é um político de verbo escasso, devemos estar atentos quando ele nos dá acesso privilegiado ao seu pensamento. Portanto, quando ele afirma que “quem fica a aguardar grandes reflexões e grandes consensualizações fica para trás”, e ainda que “é mais importante tentar do que adiar, é preciso tentar e eventualmente falhar”, do que se trata é da exposição de um método de governar. Raciocínio rápido, instinto e voluntarismo por oposição a estudo aprofundado, maturação e ponderação intelectual. Num elenco governativo cujo combustível preferido é a propaganda aditivada, o acto de nomear algo como uma reforma estrutural equivale a criar uma realidade que só o preconceito ideológico poderá contestar. Estabelecido o pedigree reformista, pressurosamente replicado nos painéis de comentários dos canais por cabo e nas páginas de opinião dos periódicos online e offline , avança-se com o pacote legislativo e com a “implementação” das medidas, isto é, das reformas ...