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A mostrar mensagens de maio, 2026

MINISTÉRIO PÚBLICO - SEM MEIOS E SEM OLHAR A MEIOS

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  “Sem reforço de meios, não temos capacidade de resposta”, declarou enfaticamente Amadeu Guerra no Parlamento. O paradoxo do Ministério Público é que invocando permanentemente a falta de meios, parece não olhar a meios para atingir os seus fins, questionáveis, quando não transpondo com garbo o limiar do abuso de poder. A corporação aprecia o aparato, certamente justificável pela envergadura das operações . É o caso dos cerca de 400 inspectores e peritos e dos 7 magistrados envolvidos na Operação Imergente . Como foi o caso dos 270 investigadores e peritos da PJ, acompanhados por dois juízes de Instrução Criminal, seis magistrados do Ministério Público e seis elementos do Núcleo de Assessoria Técnica da Procuradoria-Geral da República que, graças ao recurso a aviões militares, fizeram uma aterragem segura e espampanante na Madeira. Aspectos desta última operação foram severamente criticados pelo antigo PGR Cunha Rodrigues, que não só lembrou que “os aviões militares não são uma ...

ISRAEL - ESTADO DE IMPUNIDADE

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  O relatório da Comissão de Inquérito Independente nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU determinou que as acções de Israel em Gaza “constituem genocídio”. Para a Associação Internacional de Académicos de Genocídio “as políticas e acções de Israel em Gaza cumprem a definição legal de genocídio do artigo II da Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio”. Um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos associa “a intensificação de ataques, a destruição metódica de bairros inteiros e a negação de assistência humanitária” a um objectivo de “ mudança demográfica permanente em Gaza” . O que conjugado com “as deslocações forçadas, que parecem ter como objetivo um deslocamento permanente, suscita preocupação pela limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia". Stefan Talmon, especialista em direito internacional, recusou a classificação de genocídio, mas considerou que Israel cometeu “o crime de guerra de usar a fo...

MODERATO CANTABILE

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  Está na moda que os tenores do espaço público com ambição de poder ou de influência se reclamem do espaço da moderação. E que insistam na estigmatização daquilo que chamam de ideologia, mesmo quando, sob a capa da neutralidade tecnocrática, deixam ver as costuras das suas próprias convicções ideológicas. Averiguar o grau de pureza das suas proclamações, ora prenhes da veemência da exposição de um país que se arrasta na falta de ambição e na mediocridade, ora veículo da denúncia da indisponibilidade crónica da fauna política para a construção de consensos salvadores, é uma tarefa só ao alcance da necropsia política. A proliferação do desejo de moderação contrasta vivamente com a proeminência mediática do radical Ventura, suscitando questões de quem alimenta quem, a que estratégia recorrer (ignorar, optando por uma marcação à zona ou fazer uma marcação tema a tema, declaração a declaração) e como recuperar o eleitorado transviado atraído pelo radicalismo que se esgota no protesto. ...

A BALADA DA ESQUADRA DO RATO

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  Insultos. Pessoas algemadas, pés e mãos, durante mais de 12 horas. Armas apontadas à cabeça para intimidar. Espancamentos com socos, chapadas, coronhadas, pontapés e bastonadas. Ataques com gás pimenta. Um cinto à volta do pescoço, seguido de levantamento a simular enforcamento. Abandono à beira da estrada de cidadão anteriormente espancado e praticamente inconsciente. Uma mulher algemada de “braços abertos como se estivesse pendurada num crucifixo”. Sodomizações com um bastão ou um cabo de uma vassoura. Eis a performance da brutalidade partilhada no Whatsapp, a violência gratuita, a ausência de empatia e sentido de humanidade, a embriaguez da impunidade, o desprezo pelos percepcionados como vulneráveis ou mais fracos, a violação sem remorso do “espírito de missão de serviço público da função policial”. Eis um abominável misto de reality show e série policial, na plataforma Whatsapp, para deleite do grupo dos deploráveis, os episódios da infâmia de uma qualquer série chamada Ba...

A AMIGA GENIAL NO MINISTÉRIO DA SAÚDE

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  A professora Ana Paula Martins tem muitos amigos, incluindo ex-ministros da Saúde de governos PS. Correia de Campos tem “apreço” por ela, e em Janeiro do ano passado vaticinou que ela poderia vir a ser uma “boa ministra”, elencando um rol de qualidades : conhece o ministério, “sabe de epidemiologia”, “fez cursos no estrangeiro” e “conhece todos os apparatchiks da Saúde”. Adalberto Campos Fernandes, além de amigo, é “consultor informal”, diz o Expresso . Quase 60% dos portugueses podem defender a sua demissão (sondagem Intercampus – Novembro de 2025), e 81% declararem estar pouco ou nada satisfeitos com o SNS (ICS/ISCTE – Março de 2026), pode ter aumentado o número de utentes a aguardar uma consulta, o número dos que esperam por uma cirurgia e dos que não têm médico de família atribuído, mas amigos não lhe faltam. Podem fracassar os planos milagrosos e multiplicar-se a partidarização das nomeações para as ULS (até com resultados financeiros desastrosos) que amigos políticos não lh...