O ESTADO DA NAÇÃO (SOCIAL-DEMOCRATA)

Fontes, daquelas fontes que jorram mais informação para o Expresso que as torneiras de Almada brotam água, dão conta da inquietação no partido e no Governo. “As pessoas não estão melhor e não tem havido resposta para isso”, dizem uns. Falta “iniciativa política” e alguns “ministérios estão totalmente parados”, acrescentam outros. Há ministros que se queixam de que, escreve a jornalista Paulo Caeiro Varela no Expresso, “o primeiro-ministro não dá resposta a alguns temas do dia a dia da governação”. “Altos responsáveis do Governo e do PSD” têm uma explicação psicanalítica para um estilo de decisão assente na deliberação de um “núcleo muito fechado” – as sequelas do caso Spinumviva, que terão deixado Montenegro “amargurado” e com uma predisposição pouco cristã (“não perdoa o que lhe foi feito”).


Com 61% dos portugueses a classificarem o Governo como mau ou muito mau (sondagem ICS-ISCTE- Gfk Metris), tudo indica que a estratégia de colar o rótulo de reforma a toda a produção legislativa e de acoplar a palavra Portugal a pacotes e linhas (Construir Portugal, Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, Portugal Resiliência Energética…) não está a resultar. Ao desastre homérico na saúde juntam-se as consequências da “reforma” do ministério da Educação, cujo titular se vê permanentemente confrontado com a necessidade de rever as suas proclamações face à teimosia da realidade. A ministra da Justiça está desaparecida em combate e só se redimirá se estiver a preparar uma reforma colossal do sector. É certo que o ministro Gonçalo Matias se prepara para concretizar uma reforma que Fernando Medina gostaria de ter feito, mas não deixa de parecer curto para tanta ambição e tanta genica.


“Ambicioso”, por outro lado, é o adjectivo que as fontes do Expresso colam a Leitão Amaro, a quem responsabilizam pelos “problemas de comunicação” do Governo. A comunicação não tem sido famosa.  Basta exemplificar com as “contas de merceeiro” (expressão de Susana Peralta) feitas pelo “ambicioso” acerca do ritmo do crescimento da imigração se nada tivesse sido feito ou do impacto do crescimento populacional no PIB per capita. Também o anúncio por parte do primeiro-ministro de um “fundo soberano alimentado com dívida”, como foi definido pelo jornalista João Silvestre, não pareceu particularmente empolgante. “O soberano sem cheta”, titulou o jornalista a sua crónica sobre este assunto.


A solução já foi pensada e está a ser “implementada”. Um partido que tanto criticava a propaganda dos governos socialistas acha que a solução dos seus problemas reside no “reforço da comunicação” e no “diversificar dos protagonistas”. Não sei se se insere nesta renovação comunicacional a opção do ministro Pinto Luz pela palavra “desocupação” para substituir a mais agressiva “despejo”, mas uma das decisões mais relevantes terá sido a nomeação de Sebastião Bugalho, outro “ambicioso”, como porta-voz do partido. Com um estilo reconhecível, que combina a aura de menino prodígio bem-comportado em busca de validação com a arrogância de um spoiled brat, o Sebastião promete dar luta. A questão é se com o país preocupado com a saúde, a educação e o custo de vida, o PSD não estará a trocar o alho pelo Bugalho. 

 

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