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O MONÓLOGO DO ACOSSADO

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  Foi na quinta-feira (não sabemos se inspirado por Cavaco, o da “Quinta-feira e outros dias”) que o primeiro-ministro se disponibilizou para “dar a cara neste momento difícil”. O formato foi o preferido dele: comunicação solene sem direito a perguntas. Falou directamente aos portugueses, de sorriso ausente, com uma pose algo gingante, alternando entre o apoio da perna esquerda e o da perna direita e com o olhar no horizonte, por cima e para além das câmaras, lá onde o eleitor reside. O tom do discurso oscilou entre a autoconfiança no desempenho governativo (“governar é fazer escolhas e estas são as nossas escolhas”; “não troco, não trocamos este rumo por nenhum outro de nenhum estado-membro da União Europeia”) e o exercício da compaixão (“sentimos as vossas angústias”; “nós sentimos o vosso sofrimento, a vossa inquietação”; “o momento é duro”). A síntese do discurso, da mensagem a passar, está reflectida na frase: “Temos de equilibrar s sensibilidade social com a responsabilidade ...