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PALMA DE OURO

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  “Canto aquilo que sinto e penso, sem mandar mensagens. No fundo, sou um cronista”. É possível que esta premissa que prescinde do artifício que associamos a um “artista”, que aproxima a sua obra da revelação de uma verdade íntima, seja responsável pela identificação de tantos de nós com os seus estados de alma, com os seus retratos à la minuta de um quotidiano resgatado à banalidade por lampejos de beleza ou por inesperados confrontos com o que nos desafia. Do particular para o universal sem se diluir na amálgama do comum. Os grandes artistas, como Jorge Palma, têm o condão de nos municiarem com o vocabulário que descodifica as nossas emoções, ultrapassando inibições e reabilitando a vulnerabilidade, num movimento que exprime a franqueza que não se sente limitada pelos momentos de fraqueza. Que nunca tenha pretendido ser um modelo de virtudes, aproxima-o ainda mais de todos nós. Que tenha perseguido com sucesso o virtuosismo, esse zénite onde se conjugam o domínio técnico e...